De volta ao DOS: Alone in the Dark

Seja bem vindo(a) à “De volta ao DOS”, sua coluna no TheMentes sobre jogos antigos. Esta coluna é pra você que nunca sabe do que os tiozões estão falando quando xingam os games novos ou pra você tiozão relembrar os anos dourados, nos quais o seu computador tinha um botão de TURBO.

E então…você é fã de Resident Evil? De Silent Hill talvez? Ou até mesmo do péssimo Fatal Frame? Pois bem, você deve muito mais do que imagina a este antigo jogo lançado pela produtora francesa Infogrames (aquela do tatu-arco-írirs) em 1992.

Alone in the Dark é o pai dos gênero chamado “survival horror”, onde o principal objetivo do seu personagem é sobreviver aos acontecimentos que o rodeiam, levando um sustinho aqui e ali, racionando munições, fugindo dos inimigos quando possível e guardando os kits de primeiros socorros (ou melhor, as doses de uísque) pra usar durante a luta com aquele monstro filho da puta, difícil de matar.

A tela de seleção de personagens

Pois bem, a história se passa nos Estados Unidos, no ano de 1922. Cabe a você investigar o misterioso suicídio de Jeremy Hartwood na mansão Derceto. Para isso, você deve escolher jogar com Edward Carnby – um detetive particular ridicularizado pelos seus colegas por ter uma certa experiência com o “sobrenatural”, ou então com a formosa Emily Hartwood, sobrinha e herdeira de Jeremy.

Suponha que tenhamos escolhido Carnby (ou Edu para os íntimos).

O jogo começa com Edu chegando de táxi  na mansão abandonada, Derceto.  Assim que ele sai do carro e caminha em direção à casa, vemos que alguém na janela mais alta do terceiro andar observa nosso investigador.

O sol está se pondo, e Edu vai direto para o cômodo onde o corpo de Jeremy foi encontrado, o sotão, no alto do terceiro andar. A partir desse momento, você controla o personagem.

Não leva muito tempo para que a sua investigação seja interrompida por zombis, lobismens, demônios, seres das profundesas e outros horrores lovecraftianos. Sim, o jogo tem uma tremenda influência de H.P. Lovecraft (existe até uma cópia do Necronomicon na biblioteca da casa!) e de Edgard Allan Poe.

Alone in the Dark 02
Espadas, sabres, facas, armas de fogo e até mesmo as cerâmicas da casa. Tudo é válido na luta contra o mal que assombra a Mansão Derceto.

Os gráficos são inéditos para a época em que o jogo foi lançado. Um 3D primitivo, onde você consegue contar na mão o número de polígonos dos personagens e objetos, mas que combina bem com os cenários muito bem desenhados em perspectiva e de posicionamento fixo.  O 3D é tão arcaico que não existem texturas. Cada face poligonal é de uma cor plena, o que de certa forma separa muito bem os personagens e itens interativos do resto do cenário, o que não compromete o visual e acaba dando uma mãozinha nos puzzles.

A trilha sonora do jogo é bastante climática. Não está presente o jogo todo, mas aparece quando necessária – outra limitação técnica que acaba colaborando com a narrativa – tornando marcante os momentos em que é tocada, como a música TENSA que toca toda vez que algum lobisomem está para invadir a casa (te dando tempo de correr do cômodo, de  fechar as portas, bloquear as janelas, etc).

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Na luta contra o sobrenatural não há tempo para "lutar limpo"

Alone in the Dark é um jogo que garante horas de diversão e de tensão. Eu ainda me lembro, em 1995, eu na segunda série do primário, aguardando ansiosamente o fim das aulas pra poder jogar aquele jogo tão assustador. Quase vinte anos depois, ainda é um jogo que me fascina por ser recheado de referências e detalhes que muitas vezes escapam ao jogador mais distraído.

Alone in the Dark 04
Com uma tela de GAME OVER dessas você realmente não vai querer morrer...

O jogo teve duas sequências, Alone in the Dark 2, em 1993 – onde Carnby, agora sem seu bigodão, investiga o rapto da pequena Grace Sunders (uma garotinha de 8 anos) por um grupo de piratas  zumbis satânicos (mano, é foda bater isso em?!) e Alone in the Dark 3, em 1994 – Onde nosso herói enfrenta fantasmas no velho oeste (uma válida tentativa de se equiparar os piratas zumbis satânicos) para tentar descobrir o que aconteceu com sua amiga Emily Hartwood, que está desaparecida.

Em 2001, foi lançado Alone in the Dark – The New Nightmare. Um reboot bem sem vergonha, onde o Carnby virou um garotão heavy metal em pleno século 21. Apesar de assassinar a história dos três anteriores e de ser um jogo bastante regular em termos de gráficos e jogabilidade, “The New Nightmare” tem uma boa história, uma dublagem bacana (inclusive a versão em português) e uma trilha e efeitos sonoros envolventes.

Já em 2008, uma nova sequência-reboot foi lançada. Um Carnby tiozão, boa-pinta (uma mistura de Clive Owen com Tom Cruise) e meio avoado. Apesar de se passar nos dias atuais, a história dá a entender que é o mesmo Carnby que se aventurou nos anos 20 (nos três primeiros jogos), só que sem memória e por algum motivo, sem ter envelhecido (e misteriosamente ter ficado gatão com a adição de alguns milhares de polígonos). É um jogo bastante razoável. Deixa a entender que foi lançado apressadamente pela sua jogabilidade totalmente bugada, porém tem gráficos bacanas, uma trilha sonora fenomenal, um bom enredo e alguma originalidade (algo raro nos games de hoje).

Os filmes inspirados na série não são dignos de serem citados nesse texto, portando esqueça que eu escrevi a respeito.

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Carnby metaleiro, Carnby Galã e.... bom, deixa pra lá...

Enfim, a primeira das aventuras de Edward Carnby é um clássico que todo fã de survival horror deve jogar. Eu garanto que você vai ficar aterrorizado(a) com os sustos do game. Ou talvez as narrativas macabras nos livros e diários que você encontra pela casa tirem o seu sono. Bem, se nada disso te horrorizar, com certeza os polígonos afiados da cara do Carnby não vão te deixar dormir!

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Arquiteto e Urbanista, gamer e viciado em filmes B e coca-cola.