Era uma vez Lara Croft

Quando eu vi o trailer de (mais um) reboot/remake de Tomb Raider, fiquei empolgado, mas achei meio esquisito porque não tinha nem jogado muito os últimos jogos da franquia com aquela engine “nova”. O trailer me atraiu muito e tinha todo aquele ar de sobrevivência, uma Lara Croft mais jovem, atraente, inexperiente e insegura, sem aquela pose de femme fatale que a Angelina Jolie tanto se identificou. Comprei o jogo e só comecei a jogar de facto quando chegou minha TV de 40″ (que uso como monitor) com recurso 3D, porque o efeito 3D é realmente muito legal no jogo.

A minha primeira impressão foi uma mistura de sentimentos, achei legal toda a premissa, a abertura do jogo (que foi igual o trailer, mas sem a musica empolgante) e a situação em que essa Lara Croft imatura se encontrava. MAS… eu tinha acabado de jogar Far Cry 3, e esse jogo é praticamente a mesma coisa, juntar itens pra aprimorar equipamentos, 3 árvores temáticas de skill, protagonista caindo em uma ilha com um grupo de amigos, precisando resgatá-los, derrotar os bandidos e desvendar os mistérios sobrenaturais da ilha, com a diferença de ser terceira pessoa, a protagonista ser uma mulher gostosa e ter uns puzzles no meio do caminho.

tomb raider 01

A jogabilidade é decente, ela é bem ágil, escala, corre e dá cambalhota como sempre fez, mas o jogo é meio limitado em alguns sentidos, se a plataforma não é do tipo que dá pra subir ou escalar, você não vai conseguir. A física do jogo também é meio mentirosa, você consegue pular pra frente e cai pra trás. Algo chato nesse jogo é que você não consegue mais nadar, todas as águas são rasas ou morte certa, então a empresa não terá muitos motivos para fazer um skin promocional da Lara de biquíni. As armas são legais e dá pra colocar muitos upgrades nelas, mas mesmo jogando no Hard, eu NUNCA fiquei sem munição, até me arrependi de ter economizado munição das armas melhores, com medo de chegar em um chefão e não ter, um erro besta (isso não funciona se você é do tipo que acerta 1 a cada 20 tiros).

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O efeito 3D ajuda muito a sentir a profundidade do ambiente, a ver o que você pode interagir, mas falha miseravelmente na hora de mirar: a mira fica sempre em primeiro plano, então se você mira na cabeça do seu inimigo, o foco – que está mais no fundo – faz com que a mira vire duas miras (por estar mais “perto” da sua cara), o que é uma merda. Eu me adaptei, atirava entre as duas miras e elas também tinham a vantagem de mudar de cor e aparência quando estavam no inimigo ou na cabeça dele, mas no geral é bem aceitável e até fácil demais o jogo, dificilmente as batalhas vão dar um grande desafio, mesmo no nível Hard.

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A história é bacana, você sem querer cai justamente na ilha “secreta” que estava procurando (fiquei surpreso por não achar o King Kong ou um T-Rex lá), seus amigos são raptados e você escapa da morte para salvá-los. O enredo do mistério é basicamente contado em cartas ou livros que você encontra no meio do caminho de pessoas relatando sua estadia na ilha. O mistério sobrenatural é bem maneiro, mas extremamente previsível, eu pegava a Lara Croft chegando às suas deduções brilhantes e falava “Jura? Não é pelo seu cérebro que você fez sucesso”, enquanto virava os peitos 3D dela “para fora da tela” na minha cara. Ela apanha o jogo inteiro, cai, capota, capota mais, tromba, toma tiro, toma soco, é empalada por fragmentos, se corta, cai de novo, desmaia, queima, cai de precipício, cai de ravina, cai de cachoeira, cai de avião, cai de paraquedas, cai de quatro e nunca quebra um osso, remenda tudo com silver tape e continua em sua aventura com carinha de virgem.

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No fim, apesar de óbvio, eu fiquei satisfeito com a história e com o jogo no geral, espero que o próximo da série seja mais polido, menos óbvio e que o desafio seja maior. E, por favor, Lara, pare de inspirar gerações de feministas.

No gods. No kings. Only men.