Far Cry 3 – No paraíso, ninguém pode ouvir você gritar

Que tal cair em uma ilha paradisíaca cheia de mercenários assassinos que tentam te matar só por você existir, se envolver com a população local e se transformar em um fodão? Pois essa é a premissa de Far Cry 3, que diferente dos outros jogos da série (que pra falar a verdade nem joguei) foca numa ideia incrível de evolução pessoal do protagonista e em dilemas pessoais, tudo isso banhado de muita natureza, sangue em um gráfico exuberante.

Você começa o jogo com uma animação rápida mas bem explicativa do que se passa no momento, o seu personagem é um bobão chamado Jason Brody, que viaja pro sudeste asiático/pacífico sul a turismo com seus irmãos e uma cambada de amigos, todos com aquele visual fratboy jovem descolado de americanos jovens cheios da grana. Vão para baladas, praias, hotéis, passeios, até que num pulo de paraquedas extremamente mal planejado, vocês caem numa ilha controlada por uma milícia pirata onde ironicamente se vestem de vermelho. Capturam você e a gangue Scooby, e ficam te humilhando. Você obviamente escapa – matando seu primeiro homem no processo e agindo igual uma mocinha em pânico na primeira menstruação – e é salvo pelo povo local, os únicos com poder de te ajudar a se virar e a resgatar seus amigos ainda vivos.

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É aí que o jogo começa de fato, você consegue ganhar várias armas de várias formas diferentes e inserir diversos upgrades (como miras melhores e silenciadores). A variedade é bem grande e divertida, usando todas para matar esses inimigos de etnia indefinida, liderados por Vaas (o cara de moicano) e Hoyt, o chefão. As skills são bem interessantes e variadas, é tudo baseado em um poder místico vindo das tatuagens e o objetivo é fechar o braço com todas as tatuagens que puder (dá sim para abrir TODAS). Muitas delas são baseadas em mortes silenciosas, e inclusive você ganha vários bônus diferentes por matar silenciosamente com a faca, e o prazer de fazê-lo é imenso. Conforme vai avançando o jogo, ganha fama na ilha, abre mais skills e desenvolve certos dilemas pessoas, devido ao fato de seu personagem começar a gostar de matar. O personagem consegue ver e abrir partes do mapa ao ligar as torres de rádio, fazer bolsas maiores para carregar mais munição e itens a partir do couro de animais que mata na ilha.

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A engine funciona bem, sempre estará envolto em um cenário exuberante de uma forma ou de outra, e eu pelo menos só tive umas duas situações em que fiquei travado e tive que dar load de novo. Pra quem jogou no PC com uma placa de vídeo decente, ver o jogo no PS3 ou Xbox é uma atrocidade, os gráficos estão bem pobres, prova que essa geração de consoles já deu o que tinha que dar. O jogo é repleto de atividades, mini-games, coisas como corrida de jet-ski, atirar em pássaros, jogar poker, pegar relíquias, caça de recompensas e side quests. Fora que várias dessas atividades abrem mais armas para você explodir cabecinhas por aí. O modo multiplayer não tem nada de especial, só existe por que “precisa”, o foco mesmo é jogar a história.

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Eu digo que vale a pena jogar SIM. Alguns pontos precisavam de mais desenvoltura mas são poucos, não pesam quase nada em comparação com as coisas legais do jogo. Joguem, divirtam-se, nadem, escalem, cacem, matem, vejam como é a transformação de um garoto molenga em um assassino duro como pedra, e caminhem na linha tênue entre a justiça e a vingança.

No gods. No kings. Only men.