FIFA12: Futebol é isso aí

Jogar bola: um hobby de (quase) todo brasileiro. Quem de nós nunca arrancou a tampa do dedão chutando asfalto, ou nunca tomou uma derrapada na grama correndo na chuva para defender seu gol-caixão? Talvez por isso que no Brasil 99% dos videogames estão ligados em um jogo de futebol, sem nenhum exagero na proporção. Não só o futebol real é uma paixão nacional, mas o virtual também se tornou um vício dentre milhões de jogadores – ambos casuais e hardcores. E é, também, uma paixão pessoal minha – talvez por isso eu tenha topado estrear no TheMentes com esse Review.

Quero começar esse texto com um parágrafo sobre a história dos jogos de futebol de sucesso nos videogames. Como não lembrar de Allejo em seu International SuperStar Soccer, tanto no Super Nintendo quanto no N64? E de Janco Tiano no FIFA que concorria com o próprio ISS na época? O nome FIFA sempre foi forte nos PCs, enquanto os videogames eram dominados pelos jogos da Konami – quem nunca jogou Winning Eleven que por favor pare de ler esse post. Winning Eleven evoluiu, ganhou uma versão européia (Pro Evolution Soccer) e dominou o mercado até 2009, quando um jogo considerado ultrapassado conseguiu uma reformulação COMPLETA e voltou à disputa para ser o melhor jogo de Futebol existente.

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A rivalidade entre PES e FIFA transcende os jogos: pessoas se tornaram ‘FIFEIROS’ e ‘PESISTAS’, e tomaram tal partido passional pelos jogos que havia um tipo de DESPREZO INFINITO entre uma classe e outra. Mas a verdade absoluta é uma só: a discussão acabou.

Pude jogar a versão 2012 de Pro Evolution Soccer e não a comentarei muito nesse post, mas direi uma coisa com certeza: é um jogo legal, divertido, mas não é futebol. É um jogo ARCADE, com as regras de futebol, jogadores e tudo o mais – mas não é futebol. É uma imitação, uma simulação, surreal e demasiadamente virtual. Já o FIFA, por outro lado… Se derem uma volta pelos sites – ambos estrangeiros ou brasileiros – verão uma opinião geral sobre o novo FIFA: ‘Você nunca experimentou futebol como esse.’ E essa frase se torna verdade ainda mais absoluta quando você tem o seu primeiro contato com o jogo.

INOVAÇÕES

A primeira vez que você abre o jogo, inicia-se um tutorial sobre o novo sistema de marcação. Era uma tradição – iniciada por Winning Eleven – de ter um botão (no PlayStation o X, ou o A no Xbox) que fizesse um tipo de marcação automática sobre o atacante. Ele ia direto, correndo atrás do atacante, e dava o bote. Isso, no FIFA 12, é passado: como no futebol real, o bote é o ponto final da marcação, a execução do defensor.

Um zagueiro real cerca o atacante até ter condição de tirar a bola – pois qualquer bote em falso colocaria a sua equipe em risco – e é isso que o antigo botão de marcação automática faz: CERCA. Você regula a sua distância ao atacante, e ao botão que antigamente chamaria um ‘defensor extra’ para te ajudar (no Playstation o quadrado, e o X no Xbox) agora é o botão que executa o bote. Não apenas o bote – numa dividida ombro a ombro, ele usa puxões e agarrões para tentar tomar a frente do adversário e limpar a bola, podendo ocasionar faltas normais de jogo que acontecem numa briga pela bola em qualquer jogo. A antiga função de pedir um defensor extra ainda existe – e é controlada pelo R1 no Playstation e o RB no Xbox.

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Uma outra inovação muito importante, em relação aos gamers (como eu) de PC: fiquemos felizes, moçoilas e rapazes! FINALMENTE a versão PC é igual à dos Consoles! Temos os mesmos gráficos, os mesmos modos de jogo, a mesma jogabilidade e tudo o mais. E o uso da Origin – “Steam da EA” – torna o jogo ainda mais sensacional: organizar partidas online é algo muito simples e funciona muito bem. Baixo LAG e diversão garantida, mesmo com o Origin ainda sendo beta e tudo o mais.

E agora, a maior inovação: IMPACT ENGINE, bitches. O novo sistema de colisão transforma TODOS os corpos do jogo em corpos físicos. Traves, redes, placas, bola, jogadores – tudo se choca, e provoca uma reação diferente. Uma solada é realmente uma solada; um empurrão é realmente um empurrão; uma voadora é realmente uma voadora; um tropeção é realmente um tropeção. Deu pra entender, né? Enfim, não que isso seja algo perfeito – realmente, existem alguns pequenos bugs, mas nada que chegue a incomodar ou estragar a experiência do jogo, muito pelo contrário: só me faz ter fé que no 2013 teremos algo ainda mais incrível do que já temos nessa edição. Incrível o quanto isso altera na jogabilidade: não existe mais uma jogada “padrão”, como sempre houve nos jogos de futebol. Cada posição dos pés, cada corrida, cada marcação e cada situação faz com que nunca exista uma jogada repetida durante toda a experiência. É a sensação mais próxima do real alcançada pelo virtual.

GRÁFICOS

Os gráficos não mudaram muito em relação à versão 2011 – exceto na versão PC, que finalmente se igualou à dos consoles e, NOSSA, aí sim sente-se uma diferença. Algumas coisas me incomodam em relação aos gráficos do FIFA, e irei dar um puxão de orelha agora nos responsáveis (mesmo que eles nunca venham a ler esse Review): PORRA GALERA, vocês possuem TODAS AS LICENÇAS sobre os jogadores… POR QUÊ O JÚLIO CÉSAR É NEGÃO? POR QUÊ O NEYMAR, TITULAR DA SELEÇÃO BRASILEIRA, POSSUI UM ROSTO GENÉRICO E NÃO POSSUI NEM O CALLNAME? Pequenos detalhes que transformariam o jogo mais ideal para os jogadores mais perfeccionistas – como eu – são muitas vezes ignorados pelos criadores, e é visível o descaso para com os times brasileiros. Um exemplo? O Renato Silva, zagueiro do Vasco, vem com uma foto do Maicon Leite associada à ele. No mais, fora esses detalhes, se os gráficos do Fifa 11 recebiam uma nota 9, esse recebe um 9.2, pois é o mesmo esquema, um pouco mais lapidado.

JOGABILIDADE

O FIFA apostou no seu mesmo núcleo de sucesso já consolidado em FIFA 11, com as inovações da Impact Engine e do novo sistema de marcação, e conseguiu extremo sucesso. Visivelmente o jogo torna-se mais difícil mesmo para o mais habituado fã de FIFA, mas quando se pega o jeito percebe-se um jogo muito mais realista e gostoso de jogar. Driblar o goleiro agora torna-se algo mais simples do que no FIFA 11, e gols de cobertura são menos frequentes – um erro bem criticado no FIFA 10 que já havia sido consertado no FIFA 11, mas ainda melhorado nessa versão.

Craques são craques, mas não basta: Messi (overall 94) e Cristiano Ronaldo (92) possuem habilidade fora do normal, e utilizando um novo sistema de drible chamado ‘Precision Dribbling’, torna-se fácil dar cortes curtos e secos, mantendo a bola nos seus pés e conseguindo deixar muitos marcadores pra trás – desde que sua energia permita. O sistema de energia é o já conhecido pelos jogadores, mas executar jogadas de risco consomem mais energia, assim como a disputa ombro-a-ombro com o marcador: o realismo pela NECESSIDADE do jogo em equipe é realmente impressionante.

SOM

Não irei comentar essa bodega. Pô, o som é o clássico som de um jogo de futebol: as torcidas incendeiam o estádio, os narradores em inglês são sem qualquer graça ou emoção (não soltam nenhum RRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRonaldinho) e o ambiente é bem sonorizado. Opte pela narração em português de portugal: pelo menos, diverte.

Uma observação bacana a se fazer quanto ao som é que muitos times brasileiros possuem seus gritos de torcida. É bacana jogar com o Corinthians e ouvir os tradicionais gritos, por exemplo: é motivador. Usei o Corinthians como exemplo pela popularidade do clube e tudo o mais – como critiquei a falta de cuidado para com os times brasileiros na seção dos gráficos, devo exaltar esse carinho e cuidado especial na hora dos gritos de torcida (algo que era feito pelos ‘Patch-Makers’ de PES/WE há muitos, muitos anos).

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MODOS DE JOGO

Vamos começar pelo modo OFFLINE que importa ser exaltado: o jogador que escolher FIFA como seu xodó, com certeza jogará o modo Carreira. Você pode escolher uma carreira como jogador, uma carreira como treinador ou até mesmo uma carreira como jogador-treinador, assim como nas versões anteriores mais recentes.

Porém nem tudo é igualzinho: na nova carreira, os jogadores não possuem apenas sua habilidade, mas também possuem uma ‘forma’ que representa a satisfação deles com a situação atual. Jogadores acomodados no banco de reservas ficarão insatisfeitos e logo irão querer jogar ou sair – e isso afeta suas habilidades negativamente. Jogadores que sempre jogam e possuem a confiança do treinador se sentirão motivados caso obtenham resultados – e suas habilidades serão incrementadas como resultado.

Há também o cuidado para com a categoria de base: olheiros são enviados para todos os cantos do mundo visando buscar jogadores de 14, 15 anos que possuam grande potencial – e podem ser fortes investimentos para o time à longo prazo. É a primeira vez que trabalha-se com categorias de base em FIFA e isso foi algo GENIAL, posso dizer. Torna toda a experiência de passar várias temporadas num mesmo time em algo muito mais interessante.

Sobre o modo ONLINE, há a opção de disputar “temporadas de 10 amistosos” contra seus amigos, e no fim da temporada o campeão leva um troféu pra casa. O jogo organiza tanto o atual campeão quanto o maior campeão – e a gozação entre os amigos está liberada em relação à isso.

Uma outra opção genial de jogo Online é o chamado “Pro Ranked Match”, onde cada um pega o seu Profissional Virtual e joga em uma disputa massiva com outros jogadores, podendo chegar em até 11 contra 11. É nesse modo que se mede quem tá lá pra jogar bola e quem tá lá pra fazer graça – o jogo de equipe é ESSENCIAL para o bom jogo de todos os envolvidos, uma vez que todo mundo quer mostrar serviço.

Além do mais, a “comunidade” criada pela EA (EA Sports Football Club) apresenta informações sobre os usuários ligados à você: um ranking de liderança, um sistema de níveis e experiência e o histórico recente de todos faz com que seja possível a competição sadia entre uns e outros, buscando sempre a evolução de cada jogador. Além disso, ela provê desafios diários, que podem render experiência aos jogadores, com cenários especiais a serem batidos baseados em jogos recentemente ocorridos pelo mundo.

Os servidores da Origin estão de parabéns pela sua organização – é muito fácil acessar jogos automaticamente e a latência é realmente baixíssima. Torna possível se divertir em sua meia hora de almoço jogando algumas partidas Online com seus amigos (ou até mesmo com desconhecidos). Sensacional, nota 10 para os modos de jogo – e uma surpresa muito positiva para os modos online, que funcionam perfeitamente.

CONCLUSÃO

Engana-se quem pensa que FIFA é apenas mais um jogo de futebol. Diferentemente do que fez em 2009, quando precisou se redescobrir para voltar a brigar com seu rival (PES), a versão 2012 só teve que se lapidar: é fiel ao que vinha sendo apresentado, mas com melhorias. Se você já era apaixonado pelo jogo de 2011, prepare-se para suar e se apaixonar ainda mais na nova versão.

Pro Evolution Soccer foi ultrapassado – e como – por essa franquia, e esse jogo é o golpe de misericórdia. O mais perto do futebol de verdade que um fã do esporte pode chegar, com a vantagem de ser um jogo incansável. Impossível não jogar esse jogo com ansiedade de conhecer o que a EA irá preparar para a versão do ano que vem, mas uma coisa é certa: o caminho está traçado, é só caminhar.

FIFA é a escolha definitiva para o fã de futebol, tanto o casual quanto o hardcore. Variedade imensa de times para escolher, modos de jogo – tanto online quanto offline – muito variados e atraentes e a velha formula combinada às inovações fazem deste título o maior título já lançado no estilo. E fica o desafio a todos os gamers de PC: adicionem JohnVeeJones na Origin e sintam a fúria do capitão Vidane, príncipe do futebol.

Abraços, Vitor.

como deve ser! a EA sai do padrão e traz novidades que tornam o jogo cada vez melhor e mais duradouro, ao contrario da konami e seu defunto futebol arcade, que nas tentativas de mudar, consegue o milagre de piorar o que já ta ruim.

falo desde 2008 que a konami devia começar do zero. se ja tivesse feito isso, talvez estaria disputando realmente com fifa, mas como nao o fez, ta aí choramingando pelos cantos e reconhecendo, a cada ano que passa, a superioridade do fifa, que mesmo lider de mercado, busca grandes e significativas mudanças a cada lançamento.