Por que Shonen Mangá é importante?

Muitas vezes os fãs de anime e mangá são ridicularizados por estarem prestando atenção a algo “bobo e infantil”. Sempre alguém propõe que seria melhor assistir a um jornal ou documentário, ou então ler um livro. Mas a verdade é que existem livros e documentários ruins.

Shonen mangá é um dos vários subgêneros dos quadrinhos japoneses. Seu público alvo inclui indivíduos do sexo masculino entre 10 e 17 anos, mas muitas garotas e adultos também são fãs, seja porque cresceram lendo, ou porque gostam da mensagem contida neles.

É verdade que praticamente todo shonen mangá inclui uma boa quantidade de violência gratuita, e geralmente algum alívio cômico. Também é verdade que alguns conteúdos são extremamente machistas, mas devemos lembrar que, tradicionalmente, o Japão é uma sociedade machista também (assim como a Brasileira, mas com menos hipocrisia sobre isso). Porém, o principal tema dos shonen mangás não é a violência, ou a sexualidade exagerada, mas sim a motivação de seus personagens: o amadurecimento.

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Como escrevi anteriormente, esses mangás são escritos para adolescentes. Por isso, seus protagonistas geralmente estão na mesma faixa etária dos principais leitores (Goku tinha 12 anos, Luffy 14, Gon 12, etc.). E para justificar um crescimento rápido desses personagens (geralmente em uma cronologia de um ou dois anos), eles precisam ser colocados em situações extremas. Dessa necessidade derivam os universos de shonen mangás; sempre estranhos e surreais, mas com alguma referência ao nosso cotidiano comum. Nesses universos, nossos protagonistas são aventureiros, piratas, lutadores de artes marciais ou até mesmo vagabundos errantes, mas sempre o amadurecimento alcança essas crianças, onde quer que elas estejam.

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Os mundos e situações dos shonen mangás forçam os personagens a fazerem amigos incomuns, a aceitarem as diferenças e a serem persistentes e trabalhadores. Sempre há um inimigo mais poderoso, para o qual é preciso treinar incansavelmente; ou algum lugar distante e inacessível para o qual nenhum preparo é o suficiente. Por vezes, inimigos tornam-se aliados (temporários ou permanentes) e amigos se sacrificam pela jornada. Por vezes, é preciso tomar toda a responsabilidade para si e, outras vezes, é necessário contar com toda a ajuda que puder. Todas essas situações extremas lapidam a ingenuidade e personalidade destes personagens. Eles se deparam com situações difíceis para qualquer pessoa: a morte de uma pessoa querida, as dificuldades encontradas em sair da sua zona de conforto, a necessidade de trabalhar duro para atingir um resultado praticamente inalcançável. Sua incrível força de vontade e qualidades geralmente se sobressaem durante a jornada, e este protagonista se torna um grande exemplo para todos os que o rodeiam: uma pessoa com quem todos podem contar, e que todos respeitam profundamente.

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Porém, mesmo em casos como o de Rurouni Kenshin, onde o personagem principal não é mais tão jovem e nem é exemplar ou possui as qualidades típicas de um protagonista de shonen mangá, a maturidade ainda assombra o personagem mesmo na sua vida adulta. A verdade é que todo shonen mangá força seus personagens (não somente o protagonista, como os personagens de apoio mais importantes) a encarar a vida como ela é, e a assumirem seus papéis diante da realidade que se apresenta diante deles. Eles lutam com os recursos que possuem, e vencem suas limitações com muito esforço e, às vezes, tempo.

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No fim, o que todo shonen mangá tem em comum é o bom exemplo para as gerações futuras, o fundo moral que realmente importa: amizade, lealdade, perseverança, aceitação de diferenças e o fato de que a alcançar a maturidade não é sinônimo de jogar fora seus sonhos e fantasias.

Game designer, designer gráfico, pesquisador em semiótica. Adora video games, tanto antigos quanto novos, e cresceu jogando e estudando estes games. Devido à influência da comunidade japonesa local, aprendeu a gostar de mangás e animes, e a não achar a língua japonesa alienígena (ter estudado o idioma talvez tenha ajudado). Não consegue trabalhar sem uma trilha sonora pra acompanhar.