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Assisti hoje Ponyo no penhasco a beira do mar (Gake no ue no Ponyo, Poyno on the cliff by the sea), o ultimo movie produzido pelo estúdio Ghibli (Totoro e Cemitério dos vagalumes), devo confessar mais uma vez que esse estúdio é a fabrica dos sonhos do Japão: Animação primorosa, trilha sonora envolvente, detalhes minimamente preparados, direção genial de Hayao Miyazaki e a história… ah… a história…
O negócio começa no fundo do mar, quando “uma peixe” dourada foge de casa e acaba encontrando Sosuke na superfície, que é um garoto de 5 anos que mora com sua mãe e seu pai que é um marinheiro.
A mãe de Sosuke se chama Lisa, é uma mulher de temperamento forte e trabalha em um asilo que tem senhoras bem legais.
Sosuke da o nome de Ponyo a peixinha e viram grandes amigos. Acontece que o pai da Poyno na verdade é um mago que vive nas profundezas do oceano e acha que o lugar dela não é na superfície e resolve busca-la (parece a pequena sereia a parada, mas é muito melhor).
A história se desenrola mostrando que Ponyo não é um simples peixe: É filha do mago com a rainha do mar, que é IDÊNTICA a Iemanjá, o Orixá que é a rainha do mar da cultura brasileira. Sem brincadeira é absurdamente igual, tanto na aparência quanto nas “ações” que ela tem no filme.
Como os orientais são bem extremistas, as ações de Ponyo podem destruir o mundo, mas o filme é tão tranquilo que o fato não é tão catastrófico e isso acaba sendo totalmente secundário. O que realmente importa é a preocupação ambiental, o lúdico, a natureza e a inocência, uma história de “pequena sereia”, mas com um amor bem inocente e puro, que é característico do estúdio.
Provavelmente o Ghibli deve faturar o Oscar novamente com Ponyo (o estúdio já levou a estatueta com: A viajem de Shihiro). Essa animação está sendo distribuída pela Disney, que deve ter bancado os custos de produção. Já que o Ghibli é o ultimo suspiro vivo da animação tradicional no mundo.
Estou dizendo isso no âmbito de grandes animações, pois não vemos mais isso nos cinemas, apenas coisas em 3D, que até mesmo a Disney abraçou faz muito tempo.
Vale bem a pena ver Ponyo que está muito bom.
Odô iá! IEMANJÁ (só pra garantir)
*ATUALIZAÇÃO: Ponyo será lançando em Janeiro pela PlayArte no Brasil.
Em um Japão alternativo, a Segunda Guerra Mundial foi vencida pelos nazistas e o Japão perdeu para eles (tá, é tão alternativo que o Japão não era do “eixo”). Cidades ficaram devastadas e eles tiveram que fazer um plano de crescimento econômico agressivo, o que fez aumentar a desigualdade social e a revolta da população.
Nasceram muitos movimentos sociais populares e o governo teve que criar uma força para combater esses “terroristas” que estavam ganhando força (a mais extremista é chamada de “Seita”). Essa tropa tem uma armadura blindada que usa balas de fuzil e tem um capacete muito parecido com o capacete dos Nazistas (parece o capacete de um Trooper ou do Darth Vader, mas não é mera coincidência).
Os caras são tipo o BOPE, atiram e nem perguntam depois, uma força repressora que possui um enorme poder político. Por conta disso, opositores começam várias intrigas políticas para derrubar essa tropa.
No meio desse contexto o soldado Fuse, um dos membros do BOPE nipônico, é designado para mais uma dessas missões de triturar terroristas, mas quando se depara com uma menina que esta vestida com uma capuz vermelho carregando uma bolsa entre os terroristas, entra em conflito que desencadeia todo o norte da história.
A analogia de Fuse ser o Lobo e a menina a Chapelzinho Vermelho é inserida constantemente na história, ainda colocam a versão desse conto mais macabra que eu já vi, é bem loco!
O conflito interno do Fuse é um dos mais bem trabalhados que eu já vi, o cara é um carniceiro, mas é humano e sente a dor de fazer escolhas duras constantemente, o que muitas vezes o deixa paralisado. A intriga é muito boa também.
A animação é uma adaptação de um livro feito por um grupo fundado por Ryuho Okawa e mostra o que aconteceria se o Buda retornasse a vida algum dia, quando a escuridão envolvesse a terra.