Você já está correndo em círculos pelo Skyrim amanhã? Respire…

Bom, o que eu posso falar da série The Elder Scrolls?

A série possui mais de cinco jogos, e existe no mercado desde 1995 (quando o primeiro título, Arena, foi lançado para PCs). O primeiro jogo nos apresentou ao universo de Tamriel, seus países, formas de governo e intrigas políticas. Tendo que salvar o imperador Uriel Septim, o jogador assume o papel de um herói sem nome e sem falas. Depois desse título, vieram Daggerfall (o segundo) e alguns spin-offs e jogos para portáteis e telefones. Mas continuando a cronologia principal, a série volta com Morrowind (o terceiro), e seu conto sobre reencarnação (inclusive, um motivo recorrente em Skyrim).

No terceiro jogo, o foco maior é nos “anões” (Dwemer) e em semideuses que querem controlar o mundo. Toda essa história leva ao quarto jogo, Oblivion. Que já começa com a chocante morte do imperador e uma jornada para salvar Tamriel de um culto secreto.

Até então nada demais, fantasia medieval, magia, imperadores e ocultismo.

Devo admitir que comecei tarde na série, com Oblivion. Foi indicado por um amigo meu, e eu fiquei com os dois pés atrás antes de jogar, pois era em primeira pessoa (não conseguia conceber um jogo de fantasia em primeira pessoa naquela época), mas ainda bem que dei o braço a torcer, pois o jogo é realmente incrível e até agora, não terminei (comecei em 2006).

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O combate funciona muito bem (bem mais simples que nos outros títulos) e os cenários são incríveis. É bem dublado (apesar de ter poucos dubladores) e a história bem intrigante, o que mais chamou a minha atenção (além dos cenários extremamente bem trabalhados) foi o sistema de níveis e perícias que ao contrário do seu RPG comum, com níveis baseados em monstros derrotados e quests, seu personagem evolui cada perícia fazendo as ações necessárias (lutar com espadas torna você melhor em lutar com espadas, assim como usar muitas magias de dano tornam você bom nisso também). E em uma combinação disso com um sistema bem simples de classes e signos (e bônus de raças), você tem um sistema fácil de usar, mas extremamente complexo.

Além disso, Oblivion dá uma sensação de liberdade muito grande ao jogador. Não somente devido ao cenário imenso e detalhado, mas também devido ao modo como se joga. Nenhum playthrough é igual ao anterior, pois algumas dungeons são geradas aleatoriamente, e você acaba evoluindo as perícias em uma ordem diferente. Seu personagem pode ser extremamente versátil também (contanto que ele não seja um jack-of-all-trades), podendo se curar, ser furtivo e ter uma boa habilidade de combate, tudo isso sem desequilibrar o desafio do jogo. Claro, existem alguns glitches exploráveis (como dinheiro infinito, ou combinar vários itens com a magia “chameleon” pra ficar efetivamente invisível), mas nada que ofusque o brilho do jogo como um todo.

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Uma outra coisa importante, que chama muita atenção em Oblivion é o detalhe com que os personagens e cidades são representados. Cada NPC tem uma rotina, e vários deles mudam o que fazem de acordo com o dia ou época do ano. Pode-se entrar em qualquer prédio do jogo (ainda que entrar em alguns seja proibido) e mesmo as prisões são bem representadas. Além disso, os vampiros não saem de dia, e alguns personagens mais excêntricos viajam ao redor do país.

Ah sim, o país Oblivion se passa em Cyrodill, o centro do império, alguns 100 anos após a trama de Morrowind. A capital do império é enorme, e cheia de NPCs, além de poder ser vista de quase qualquer lugar no mapa. O nível de diversidade natural também é muito grande, indo de montanhas e pântanos à planícies de pouca vegetação. Existe muito conteúdo sobre o universo de Tamriel também, seja em livros (que podem ser lidos, alguns com mais de 15 páginas) ou diálogos especiais. Some isso à mais de 5 cidades, mais de 100 localidades para explorar e quatro facções (sem contar as facções das expansões e DLCs) e você tem um jogo que passa tranquilamente de 100 horas. São tantas quests que você seguramente irá ficar em dúvida sobre qual fazer primeiro.

Com a expansão Shivering Isles, você ainda recebe mais uma localidade (o reino da divindade da loucura, um lugar tão bizarro quanto wonderland de Alice) e novos NPCs. A grande maioria dos NPCs podem ser mortos, e isso invalida certas quests. Terminando o ciclo, existem alguns extras como pedras que concedem magias diárias e quests que não aparecem no jornal de jogo.

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Mas agora vamos ao que interessa, amanhã (dia 11 de Novembro) The Elder Scrolls V: Skyrim será lançado. O jogo passará 100 anos após Oblivion, e contará a história de um Draconato (Dragonborn, como preferir) e o retorno dos dragões ao mundo.

Como pode ser visto nas centenas de vídeos e screenshots, o jogo é consideravelmente mais bonito e detalhado que seu antecessor e os desenvolvedores já expressaram em entrevistas ter trabalhado para melhorar alguns aspectos já muito bons em Oblivion, como o sistema de rotina dos NPCs e o número de vozes presentes no jogo (agora serão mais de 80 vozes, contra as 15 ou menos que tinham em Oblivion). Um novo sistema de perks foi implementado e dois tipos de magia poderão ser usados: a comum e os gritos (magias de origem dracônica). Além disso, conta com um sistema de dupla empunhadura, para usar duas armas (iguais ou diferentes) e até mesmo combinar duas magias diferentes, ou armas e magias. Isso com certeza irá oferecer uma profundidade maior ao combate.

Se Skyrim for realmente melhorar tudo o que existe em Oblivion, então teremos um jogo de proporções nunca vistas antes e espero que adicionem alguns puzzles mais complexos.

Será que só eu estou ansioso para quebrar um dragão na porrada?

Veja gameplay do Skyrim:

Game designer, designer gráfico, pesquisador em semiótica. Adora video games, tanto antigos quanto novos, e cresceu jogando e estudando estes games. Devido à influência da comunidade japonesa local, aprendeu a gostar de mangás e animes, e a não achar a língua japonesa alienígena (ter estudado o idioma talvez tenha ajudado). Não consegue trabalhar sem uma trilha sonora pra acompanhar.